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MITO: NÃO POSSO REALIZAR EXERCÍCIO FÍSICO PORQUE TENHO INSUFICIÊNCIA CARDÍACA?

Artigo de Vanessa Santos - Fisiologista do Exercício
02 mar 2022

A insuficiência cardíaca é caracterizada pela incapacidade de o músculo cardíaco bombear sangue suficiente para atender às necessidades de sangue e oxigénio do corpo. A intolerância ao exercício está intrinsecamente ligada à própria insuficiência cardíaca.

Nas décadas de 1930/1940 acreditava-se que o doente com insuficiência cardíaca tinha necessidade de repouso absoluto. Até ao final da década de 1980, o exercício era considerado inseguro para o doente com formas crónicas desta síndrome. Não era claro se algum benefício poderia ser obtido com a reabilitação, e existia a preocupação com a segurança do doente, com a crença de que o esforço adicional causaria mais danos no músculo cardíaco. Muitos doentes com insuficiência cardíaca têm, por isso, desenvolvido padrões sedentários, que por si promovem e agravam a intolerância ao exercício. Não estando relacionado apenas com a função cardíaca, mas também com a retenção de líquidos e atrofia muscular, que ocorrem com o desenvolver da doença.

Os doentes com insuficiência cardíaca precisam de ser encorajados a aumentar sua atividade física e a desenvolver uma rotina regular de exercício físico. Idealmente, devem integrar um programa de reabilitação cardíaca monitorizado e acompanhado.

Os doentes com insuficiência cardíaca precisam de ser encorajados a aumentar sua atividade física e a desenvolver uma rotina regular de exercício físico. Idealmente, devem integrar um programa de reabilitação cardíaca monitorizado e acompanhado.

BENEFÍCIOS DA ATIVIDADE FÍSICA NA INSUFICIÊNCIA CARDÍACA

Inúmeros estudos científicos foram realizados nesta população e demonstraram a segurança e os inúmeros benefícios que o exercício físico promove neste grupo específico de doentes. Uma prática regular, bem prescrita e monitorizada, oferece benefícios fisiológicos e psicológicos substanciais. O exercício físico é considerado um componente integral do tratamento não farmacológico da insuficiência cardíaca, sendo seguro e benéfico, associado a uma redução significativa na mortalidade e nos internamentos hospitalares.

Adicionalmente, o exercício físico regular demonstrou melhorias na capacidade de exercício, na carga de trabalho, duração do exercício, capacidade funcional, controlo de fatores de risco, melhorias da qualidade de vida, força muscular e ainda na função endotelial.

Nos doentes com insuficiência cardíaca, o programa de exercício físico deve evoluir de forma gradual em termos de intensidade, iniciando sem cargas externas ou equipamentos complexos. Devem fazer parte integrante destes programas, exercícios para o trabalho da capacidade cardiorrespiratória, mas também de força muscular. O exercício físico deve ser variado, procurando trabalhar o corpo num todo, devolvendo as capacidades físicas funcionais de forma mais eficaz e eficiente.

Referências:

1. Ferrari R. et al. Heart failure: an historical perspective. European Heart Journal Supplements. 2016;Volume 18, Issue suppl_G, Pages G3–G10;

2. ACSM. (2010). Guidelines for Exercise Testing and Prescription. In L. Armstrong, G. J. Baladi, M. J. Berry, S. E. Davis, B. M. Davy, K. P. Davy, B. A. Franklin, N. F. Gordon, I.-M. Lee, T. McConnell, J. N. Myers, F. X. Pizza, T. W. Rowland, K. Stewart, P. D. Thompson & J. P. Wallace (Eds.);

3. Piepoli M. et al. Exercise training in heart failure: from theory to practice. A consensus document of the Heart Failure Association and the European Association for Cardiovascular Prevention and Rehabilitation. Eur J Heart Fail. 2011;13(4), 347-357.

4. Piña I. et al. Exercise and Heart Failure A Statement From the American Heart Association Committee on Exercise, Rehabilitation, and Prevention. Circulation. 2003;107:1210–12252003.

Artigo de Vanessa Santos - Fisiologista do exercício

Sou fisiologista do exercício, doutorada em atividade física e saúde, especialista em exercício clínico. Conheço bem os benefícios que o exercício físico promove na nossa saúde e o que me move é poder ajudar quem mais precisa, a prevenir e/ou recuperar patologias clínicas, através do exercício físico regular, promovendo estilos de vida ativos e saudáveis.

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