Cardio da Vida
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Efeitos do exercício em quem toma estatinas

Artigo de Vanessa Santos - Fisiologista do exercício
23 jun 2023

As estatinas são consideradas o melhor tratamento para a redução dos níveis de colesterol no sangue e uma das pedras basilares para a prevenção das doenças cardiovasculares. Um estudo realizado em Portugal pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge revelou que mais de metade dos portugueses apresentam níveis elevados de colesterol, e, desses, cerca de 63% tomam medicação.  

Embora as estatinas sejam um dos medicamentos mais prescritos em todo o mundo, seguras e bem toleradas, cerca de 10% das pessoas podem experimentar efeitos secundários, incluindo fadiga, cãibras musculares e mialgias (dores musculares), o que pode dificultar a prática de exercício físico. Esses sintomas são particularmente importantes em pessoas menos ativas e mais idosas.  

A dor muscular secundária ao exercício físico, em particular de maior intensidade, é frequente e pode ser confundida com efeitos secundários a estatinas.

Será que o exercício físico pode reduzir os possíveis sintomas musculares das estatinas ou aumenta o risco de efeitos secundários?

As estatinas reduzem a capacidade oxidativa e o número de mitocôndrias no músculo esquelético, podendo tornar o músculo menos apto para o exercício físico. No entanto, o treino e a prática regular de atividade física podem minimizar e até contrariar este efeito das estatinas nas células musculares.  

Um estudo publicado no Journal of the American College of Cardiology demonstrou que o exercício físico aumenta a força muscular e a resistência à fadiga, quer em utilizadores de estatinas, quer em indivíduos não medicados. Adicionalmente, o consumo de oxigénio máximo (VO2 máximo), a produção de energia (medida pela produção de ATP) e o tamanho das fibras musculares não foram afetados pela toma de estatinas. Os sintomas relacionados com os músculos melhoraram em indivíduos que tomavam estatinas e não diferiram entre pessoas medicadas e não medicadas. Efetivamente, o treino físico pode ter um papel protetor contra os possíveis efeitos musculares associados à toma de estatinas.  

As estatinas devem ser prescritas em combinação com exercício físico de forma a reduzir o risco de morbidade e mortalidade por doenças cardiovasculares: 

    • Por cada redução de 1 milimole por litro nos níveis de LDL, reduzimos 10 a 20% o risco de eventos cardiovasculares e mortalidade por todas as causas; 
    • Por cada 1 MET (equivalente metabólico – 3,5 mililitros de oxigénio por quilograma de peso corporal por minuto), o aumento da condição física cardiorrespiratória está associado a uma redução de 18% na mortalidade por doenças cardiovasculares e uma redução de até 50% na mortalidade por todas as causas.

É aconselhado para a prática de exercício físico: 

    • O exercício de força muscular deve ser base de todos os treinos, para melhorar a função e morfologia do músculo-esquelético e, consequentemente, retardar a perda muscular. Mínimo 2 vezes por semana.  
    • Exercício com intensidade moderada a vigorosa tem demonstrado eficácia na prevenção de disfunção muscular, melhoria na capacidade cardiorrespiratória e também no controlo de fatores de risco, como a gestão de peso. Idealmente 5 vezes por semana. 
    • O exercício intervalado tem revelado um aumento na tolerância de intensidades mais elevadas, melhorando a qualidade de vida em indivíduos que tomam estatinas. 

É importante sempre ter em conta que todo o exercício deve ter progressões graduais e controladas tanto na intensidade, como na duração e na frequência ao longo do tempo, sempre levando em consideração a condição física atual, queixas e dosagem da medicação.

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