Cardio da Vida
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Vacina da covid-19 na doença cardiovascular

Artigo de José Ferreira Santos - Cardiologista
04 nov 2023

Possivelmente a última coisa sobre a qual quer ouvir falar é a covid-19!  

No entanto, com mais de 770 milhões de casos reportados globalmente até ao momento e com uma tendência crescente, é um problema que está longe de terminar. Por isso, conhecer as implicações que a covid pode ter no risco de doença cardiovascular e saber como preveni-las é fundamental! 

covid-cardiovascular

Com o que sabemos quando já passaram mais de 3 anos sobre o início da pandemia, há pelo menos 3 mensagens a reter sobre a covid-19:

1. Não desapareceu, parece ter vindo para ficar;

2. Aumenta o risco de complicações cardiovasculares;
3. A vacinação contra a covid é a melhor forma de prevenir complicações.

A covid veio para ficar

A covid, isto é, a infeção provocada pelo SARS-Cov-2, continuará a fazer parte do nosso dia a dia e muito dificilmente a doença será erradicada.  

O número de casos poderá variar de acordo com a época do ano e região do globo, mas à semelhança do que se verifica para outras infeções virais, como é o caso da gripe, teremos de aprender a conviver com a covid nos anos vindouros! 

•   Na maioria dos casos a covid-19 resulta em sintomas ligeiros e até 50% dos doentes infetados podem nem ter sintomas;

•   Uma pequena percentagem de casos pode desenvolver complicações graves, com necessidade de internamento hospitalar;

•   Estima-se que em populações não vacinadas, a mortalidade possa variar entre 2%-5%. 

virus-covid
idoso-covid

Há grupos com maior risco: 

•   Os idosos, nomeadamente a faixa etária acima dos 80 anos na qual a mortalidade pode ser 20 vezes superior à dos doentes com menos de 60 anos.  

•   Os doentes crónicos – doenças cardíacas, respiratórias, diabetes, obesidade, entre outras – em que o risco de complicações da infeção pelo SARS-Cov-2 é superior.  

Estes grupos de risco devem estar particularmente atentos às medidas de prevenção, incluindo a utilização de máscaras, a lavagem frequente das mãos e a incontornável vacinação. 

A covid-19 aumenta o risco de complicações cardiovasculares

Sabemos hoje que a covid-19 é um fator de risco para o desenvolvimento de doença cardiovascular.  

A infeção por SARS-CoV-2 pode provocar complicações na fase aguda ou crónica da doença, através de diferentes mecanismos.  

•   Por um lado, o vírus, pode afetar diretamente o coração e provocar miocardite, ou seja, infeção e inflamação do músculo cardíaco, que pode resultar em insuficiência cardíaca e arritmias.  

•   Por outro lado, a reação inflamatória sistémica provocada pelo vírus pode provocar lesão dos vasos sanguíneos e formação generalizada de coágulos, aumentando o risco de embolia pulmonar e de enfarte agudo do miocárdio.  

Quanto mais grave for a infeção covid, maior o risco de complicações cardiovasculares! Além disso, pessoas com doença cardíaca pré-existente estão também em maior risco de terem uma infeção mais grave! 

Após a infeção aguda, os sintomas persistentes, atribuídos à covid longa, podem também dever-se ao agravamento de uma doença cardíaca preexistente ou ao desenvolvimento de novas manifestações cardiovasculares.  

Estima-se que nos doze meses após a infeção aguda, o risco de eventos cardiovasculares aumenta 50-60%, pelo que o controle e a vigilância dos fatores de risco e de qualquer doença cardíaca existente são fundamentais para minimizar as possíveis complicações! 

covid coração
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A vacinação contra a covid é a melhor forma de prevenir complicações

Tal como acontece com a gripe, para a qual está bem estabelecido que a vacinação previne e reduz a gravidade da infeção, bem como as possíveis complicações graves e fatais da doença, também no caso da covid, a vacinação é hoje a melhor forma de nos protegermos!  

Dependendo do tipo de vacina, a eficácia contra a infeção por SARS-Cov-2 pode ser superior a 80% nos primeiros meses após a administração das primeiras doses. Sabemos que a eficácia da vacina vai diminuindo com o passar do tempo depois da vacinação e daí a importância da revacinação anual. 

Têm sido reportados alguns efeitos secundários da vacina a nível do coração, incluindo miocardite e de pericardite.  

•   Estes casos ocorrem em 1 a 10 pessoas por cada milhão de vacinas administradas e pensa-se que estão relacionados com a reação imunológica do organismo.  

•   Os casos reportados ocorreram predominantemente em jovens, entre os 12-17 anos e na maioria são autolimitados e com evolução benigna.  Como já referido, a covid também está a associada a complicações de miocardite e pericardite.  No entanto, neste caso, o risco é 2-5 vezes superior ao risco das mesmas complicações associadas com a vacina.  

E, na dúvida, a vacina tem sempre um risco inferior ao da própria doença!  

De uma forma geral, a vacinação contra a covid tem-se demonstrado segura e foi o fator decisivo para podermos retomar uma vida normal!  

•   No caso das pessoas com doença cardiovascular já estabelecida, o risco de complicações após a covid é superior.  

•   Também neste grupo, a vacinação demonstrou reduzir o risco de enfarte agudo do miocárdio e de acidente vascular cerebral, pelo que não devem existir dúvidas sobre o benefício acrescido também nesta população de doentes! 

proteger o coração

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